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Crédito Habitação 2026: Guia Completo

Tudo o que precisa de saber para pedir crédito habitação em Portugal em 2026 — capacidade de endividamento, tipos de taxa, custos, processo passo-a-passo e os erros mais comuns a evitar. Conteúdo redigido por intermediário de crédito registado no Banco de Portugal.

Equipa editorial · Intermediário de Crédito Vinculado
Atualizado a

O que é o crédito habitação

O crédito habitação é um empréstimo bancário de longo prazo, garantido por hipoteca sobre o imóvel financiado, cujo objectivo é financiar a compra, construção ou remodelação de habitação. Em Portugal, é o produto financeiro de retalho com maior peso no balanço do agregado familiar médio — e o que tem maior densidade de regulamentação, precisamente porque os erros saem caros e duram décadas.

A relação entre o cliente e o banco é regulada pelo Decreto-Lei n.º 74-A/2017, que fixa direitos do consumidor, regras de transparência (FINE, TAEG, MTIC) e limites de comissões. A supervisão cabe ao Banco de Portugal, que também emite recomendações macroprudenciais periódicas sobre rácio prestação/rendimento (DSTI) e rácio empréstimo/garantia (LTV).

Como funciona em Portugal

O crédito habitação português usa quase sempre o sistema de amortização francês: prestações mensais constantes em capital + juros, com a fracção de juros a diminuir ao longo do tempo e a de capital a aumentar. A consequência prática: nos primeiros anos paga sobretudo juros; só depois de uma década é que o capital começa a descer com peso.

Os prazos típicos vão dos 10 aos 40 anos, mas o limite legal é função da idade do mutuário mais velho à data prevista da última prestação. Os bancos costumam exigir que essa idade não exceda os 75 anos, o que define o prazo máximo de quem contrata o crédito mais tarde. Para um casal em que o membro mais velho tem 45 anos, o prazo máximo realista são 30 anos.

A taxa de juro pode ser fixa, variável (Euribor + spread) ou mista (período fixo seguido de variável). Esta é uma das decisões mais consequentes de todo o processo — mais à frente há um assistente para o ajudar a escolher.

Quanto posso pedir?

Três limites controlam o montante máximo a que pode aceder:

  • DSTI (Debt Service-to-Income): rácio entre os encargos com créditos e o rendimento líquido mensal. O Banco de Portugal recomenda um máximo de 50% para o conjunto de todos os créditos do agregado. Na prática, os bancos costumam exigir DSTI abaixo de 35–40%, com stress-test a +3 pontos percentuais na Euribor para validar a resiliência.
  • LTV (Loan-to-Value): rácio entre o montante pedido e o menor de dois valores — preço de compra ou avaliação bancária do imóvel. Limite recomendado: 90% para habitação própria e permanente de primeira aquisição, 80% para habitação secundária ou para arrendar.
  • Capacidade de prestação absoluta: regra prática dos bancos — após pagar a prestação, deve restar ao agregado pelo menos o valor de um salário mínimo nacional por adulto e meio salário mínimo por dependente.

Para avaliar rapidamente o impacto na prestação de diferentes montantes e prazos, use o simulador de crédito habitação. Ele aplica a fórmula de amortização francesa com a Euribor actualizada e mostra o custo total (MTIC) lado a lado.

Tipos de taxa

A escolha entre fixa, variável e mista determina não só o custo total esperado mas também o perfil de risco da prestação ao longo de 30 anos. Vale a pena pensá-la com método.

Taxa fixa

TAN constante durante todo o contrato. Vantagem: previsibilidade absoluta — a prestação não muda nem que a Euribor dobre. Desvantagem: prémio inicial — a TAN fixa é tipicamente 0,5 a 1,5 pontos percentuais acima da TAN variável equivalente no momento da contratação. A fixa também é menos protegida em caso de amortização antecipada (comissão até 2%).

Taxa variável

Spread (fixo, definido pelo banco) + Euribor (variável, revista a 3, 6 ou 12 meses). A prestação acompanha o mercado — sobe quando a Euribor sobe, desce quando desce. Para entender o impacto do índice escolhido, leia o histórico Euribor e o que significa cada maturidade. O spread é a parte negociável; tipicamente entre 0,5% e 1,5%, dependendo do banco, do LTV e do perfil do cliente. Aprofunde em como funciona o spread no crédito habitação.

Taxa mista

Período inicial fixo (tipicamente 2 a 10 anos) seguido de variável até ao fim do prazo. É a escolha modal em Portugal nos últimos anos: protege a fase mais vulnerável do contrato (quando o capital em dívida ainda é alto e a prestação dói mais) e deixa a parte variável trabalhar quando o agregado já tem mais folga. Para uma comparação detalhada, veja taxa mista vs variável: qual escolher.

Fixa, Variável ou Mista? — assistente em 2 passos

Responde a duas perguntas e mostramos-te o tipo de taxa que melhor se adequa ao teu cenário, com o raciocínio por trás.

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Termos essenciais (TAN, TAEG, MTIC)

Os três indicadores que deve sempre comparar entre propostas:

  • TAN (Taxa Anual Nominal): a taxa de juro pura, antes de comissões e impostos. Útil para perceber a evolução mensal da prestação, mas insuficiente para comparar bancos.
  • TAEG (Taxa Anual de Encargos Efectiva Global): incorpora juros, comissões, impostos, seguros obrigatórios e qualquer encargo recorrente. É o indicador que o Decreto-Lei n.º 74-A/2017 obriga a destacar — e o único que permite uma comparação honesta entre propostas.
  • MTIC (Montante Total Imputado ao Consumidor): a soma de tudo o que vai pagar até ao fim do contrato — capital + juros + comissões + seguros. Para um crédito de 150.000 € a 30 anos, o MTIC anda tipicamente entre 240.000 e 290.000 €.

Estes três valores aparecem obrigatoriamente na Ficha de Informação Normalizada (FINE), o documento que o banco tem de entregar antes da contratação. Guarde-o e compare lado a lado.

Documentos necessários

A documentação típica para análise de viabilidade num banco português:

  • Identificação: Cartão de Cidadão e número de identificação fiscal de todos os intervenientes.
  • Rendimento: últimas três declarações de IRS, recibos de vencimento dos últimos 3 meses (ou declaração da entidade patronal para contratos novos), extractos da Segurança Social com o histórico contributivo.
  • Bancário: extractos de conta dos últimos 3 meses, comprovativos de outros créditos em curso, comprovativo da poupança usada para a entrada.
  • Imóvel: caderneta predial urbana, certidão permanente do registo predial, licença de utilização, certificado energético.

Os trabalhadores independentes adicionam: 3 anos de IRS, recibos verdes dos últimos meses, declaração de actividade da AT. Os bancos não publicam listas exaustivas — um intermediário de crédito ajusta a lista ao perfil concreto e antecipa pedidos que poupam semanas no processo.

Processo passo-a-passo

  1. Pré-análise (1–3 dias). O banco (ou o intermediário) calcula a capacidade de endividamento e dá um pré-acordo informal sobre o montante elegível.
  2. Submissão formal (1 semana). Dossier documental completo. O banco entra em análise de risco formal.
  3. Avaliação do imóvel (1–2 semanas). Um perito independente é destacado pelo banco para avaliar o imóvel. Custo: 250–400 €.
  4. Aprovação e FINE (1–2 semanas). Banco comunica a decisão e entrega a Ficha de Informação Normalizada. Cliente tem 7 dias de reflexão antes de assinar.
  5. Escritura (2–4 semanas). Pagamento de IMT e Imposto de Selo na AT, marcação de notário, registo provisório, escritura pública, registo definitivo da hipoteca.

Custos associados

Para além da entrada, orce mais 5–7% do valor da casa em impostos e encargos:

  • IMT: imposto sobre transmissões onerosas, com tabela progressiva. Pode haver isenção para habitação própria e permanente até cerca de 104.000 € e tratamento especial para jovens — ver IMT Jovem em 2026 e o simulador de IMT.
  • Imposto de Selo: 0,8% sobre o valor da escritura (transmissão) e 0,6% sobre o valor do crédito (financiamento), pagos antes da escritura.
  • Avaliação bancária: 250–400 €, paga ao banco aquando da submissão.
  • Escritura e registos: 700–1.200 € consoante o local e o valor da casa.
  • Comissões bancárias: dossier de abertura (300–600 €), comissão de processamento da prestação (3–4 €/mês), comissões pontuais por operações específicas.

Seguros e amortização antecipada

A contratação obriga a dois seguros: seguro de vida (cobre o capital em dívida em caso de morte ou invalidez) e seguro multirriscos habitação (cobre danos ao imóvel). Ambos podem ser contratados em qualquer seguradora — não tem de ser a do banco, e o cliente tem direito a comparar. Mudar de seguradora durante o contrato é permitido e tipicamente gera poupança significativa.

A amortização antecipada, parcial ou total, é um direito do mutuário. As comissões são limitadas por lei: 0,5% do capital amortizado em taxa variável, 2% em taxa fixa. Há isenção total em caso de morte, desemprego involuntário ou mudança forçada de local de trabalho. Para perceber quando amortizar e como, leia amortização antecipada: vale a pena?

Como escolher banco e evitar erros

A escolha de banco não se resume à TAN. Quatro pontos determinam quem oferece efectivamente o melhor crédito:

  1. TAEG, não TAN. Dois bancos podem ter a mesma TAN e uma TAEG diferente — é a TAEG que paga.
  2. Spread negociado. O spread anunciado é raramente o melhor possível. Bancos descem o spread para perfis com bom rendimento, baixa exposição a outros créditos e LTV inferior a 70%.
  3. Condições de cross-selling. Bancos baixam o spread em troca de domiciliação de salário, cartão de crédito, seguros próprios. Calcule se o desconto compensa o custo dos produtos vinculados.
  4. Comissões pontuais. Comissão de dossier, de avaliação, de antecipação, de alteração contratual — estes valores acumulam-se em décadas.

Os erros mais frequentes que vemos: aceitar a primeira proposta sem comparar; subestimar o impacto de um spread 0,1 pp mais alto ao longo de 30 anos; aceitar produtos vinculados sem fazer as contas; não pedir a FINE antes de decidir; assinar sem usar o período legal de reflexão.

Um intermediário de crédito vinculado, gratuito para o cliente, negocia em paralelo com vários bancos e apresenta propostas comparáveis lado a lado. Saiba como um intermediário de crédito o ajuda no processo.

Perguntas frequentes

Quanto preciso de ter de entrada para comprar casa em 2026?
O Banco de Portugal limita o LTV (Loan-to-Value) a 90% para habitação própria e permanente de primeira aquisição; isto significa um mínimo de 10% de entrada sobre o menor entre o preço de compra e a avaliação bancária. Para segunda habitação, o LTV cai para 80% (20% de entrada). Os custos com IMT, Imposto de Selo, escritura e registos vêm além da entrada — orce mais 5–7% do valor da casa.
Quanto tempo demora a aprovação de um crédito habitação?
Da entrega completa do dossier até à comunicação da decisão, conte 10 a 25 dias úteis. Da decisão até à escritura, mais 3 a 6 semanas (avaliação do imóvel, agendamento de notário, registos). Um processo bem instruído com intermediário de crédito tipicamente fecha em 6 a 10 semanas totais.
Os bancos aceitam crédito habitação com apenas 1 ano de IRS?
Em regra, exigem 2 a 3 declarações de IRS — sobretudo para trabalhadores independentes. Para contratos sem termo, alguns bancos aceitam 1 ano de IRS desde que o contrato tenha mais de 12 meses de antiguidade. Para recibos verdes, 2 anos é o mínimo praticamente universal.
Posso pedir crédito habitação em conjunto com alguém que não é cônjuge?
Sim. Vários tipos de coobrigados são aceites: companheiro/a em união de facto, irmãos, pais e filhos, ou amigos. Todos respondem solidariamente pela dívida. A capacidade de endividamento é avaliada sobre o rendimento conjunto, mas o regime de propriedade é definido na escritura (compropriedade em quotas iguais ou diferenciadas).
O que muda no crédito habitação em 2026 face a 2025?
Mudanças relevantes: (1) as recomendações macroprudenciais do Banco de Portugal sobre DSTI máximo (50%) e LTV (90% HPP / 80% secundária) mantêm-se, com revisões periódicas; (2) o IMT Jovem foi alargado em 2024 e mantém-se em 2026 com o limite atualizado; (3) os bancos ajustam os spreads em função do contexto Euribor — verifique a Ficha de Informação Normalizada (FINE) actualizada.

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