EURIBOR a 3, 6 ou 12 meses: qual escolher?
Se vais pedir um crédito habitação com taxa variável — ou já tens um — há uma decisão que define a tua relação com o banco nos próximos 30 anos: o prazo da EURIBOR. Três meses? Seis? Doze? Não há resposta única. Depende do teu perfil, do momento do mercado e da margem que tens no orçamento.
O que é a EURIBOR e porque importa
A EURIBOR (Euro Interbank Offered Rate) é a taxa a que os bancos europeus emprestam dinheiro uns aos outros. Para ti, é o termómetro que define quanto pagas de juros — não o valor total da taxa, mas a sua parte variável. A tua taxa de juro nominal é construída assim:
spread (fixo, depende do banco) + EURIBOR (variável, definida pelo mercado) = TAN
O Decreto-Lei n.º 74-A/2017 obriga os bancos a indicar claramente, no contrato, qual a taxa de referência (EURIBOR), com que periodicidade é revista e qual o impacto na prestação. Sempre que esse contrato é atualizado, a tua prestação mensal sobe, desce ou fica igual em função da EURIBOR vigente nesse momento.
Os três prazos, em prático
A diferença não está na natureza da taxa — é sempre EURIBOR. Está na frequência com que essa parte variável é atualizada no teu contrato:
| Prazo | Revisão | Volatilidade percebida | Uso típico em PT |
|---|---|---|---|
| 3 meses | trimestral | alta | minoritária |
| 6 meses | semestral | média | dominante (a referência habitual no mercado) |
| 12 meses | anual | baixa | minoritária |
3 meses — para quem prefere reagir depressa
A tua taxa reflete-se quase em tempo real. Se o Banco Central Europeu corta juros em janeiro, sentes na prestação em abril.
- Bom em: ciclo de descida — beneficias mais cedo.
- Mau em: ciclo de subida — a prestação acelera depressa.
6 meses — o equilíbrio (e a escolha por defeito em Portugal)
A revisão semestral dá tempo para te adaptares, sem te prender a uma taxa antiga durante um ano inteiro. É o ponto-doce entre reactividade e estabilidade — por isso domina os contratos novos em Portugal.
- Bom em: quase todos os cenários "normais".
- Mau em: ciclos de viragem rápida — podes ficar a meio da curva.
12 meses — para quem valoriza previsibilidade
Pagas a mesma prestação durante 12 meses, sem surpresas. Ideal se o orçamento é apertado e qualquer flutuação destabiliza o mês.
- Bom em: ciclo de subida — fixas o valor antes da próxima volta de juros.
- Mau em: ciclo de descida — demoras a beneficiar.
Como decidir, em três perguntas
1. Como está a EURIBOR 12m face à 3m?
Se a EURIBOR 12m está acima da 3m, o mercado espera subidas — fixar a 12m protege-te do choque. Se está abaixo, antecipa-se descida e a 3m beneficia primeiro. O segundo gráfico acima (12m − 3m) torna esse sinal explícito: sempre que a linha cruza o zero, o mercado mudou de opinião.
2. Que folga tem o teu orçamento?
Se uma variação de 0,5 pp na taxa quebra o teu mês — escolhe 12 meses. Se aguentas 50–100 € de oscilação trimestral sem stress, 6 meses chega. Se segues o mercado e queres apanhar descidas depressa — 3 meses.
3. Quanto tempo te falta no contrato?
Em créditos com poucos anos pela frente, a diferença entre prazos pesa pouco (estás a pagar mais capital do que juros). Em créditos de 30+ anos, a escolha amplifica-se ao longo do tempo.
Perguntas frequentes
A EURIBOR pode ser negativa?
Posso mudar o prazo da EURIBOR depois de assinar o contrato?
Faz mais sentido fixar a taxa em vez de usar EURIBOR?
Queres ver o impacto na tua prestação?
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