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Taxa Mista vs Variável: Qual Escolher no Crédito Habitação

Em 2026, a maioria dos novos créditos habitação em Portugal são assinados em taxa mista. Mas a variável continua a ser a melhor escolha para um perfil específico — depende do horizonte temporal, da folga orçamental e da expectativa de mercado.

Equipa editorial · Intermediário de Crédito Vinculado
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Definições rápidas

Taxa variável: TAN = spread (fixo) + Euribor (variável, revista a 3, 6 ou 12 meses). A prestação muda a cada revisão.

Taxa mista: período inicial com TAN fixa (tipicamente 2, 5, 7 ou 10 anos), seguido de período variável (spread + Euribor) até ao fim do contrato.

A diferença prática: na variável paga desde o primeiro mês ao sabor do mercado; na mista tem previsibilidade nos primeiros anos e depois passa a viver com as oscilações.

Quando faz sentido a taxa mista

A mista é a opção certa quando se cumprem uma ou mais destas condições:

  • Orçamento sem grande folga nos primeiros anos. Comprar casa coincide muitas vezes com início de vida em conjunto, despesas de mudança, mobília. Fixar a prestação cinco anos remove um risco numa fase de muitos.
  • Expectativa de subida da Euribor no curto prazo. Se acredita que as taxas vão subir nos próximos 2–3 anos, a mista bloqueia o custo inicial.
  • Aversão à volatilidade da prestação. Há pessoas para quem variações de 50–100 € na prestação mensal causam stress real — para esses, vale o prémio.
  • Horizonte longo (20+ anos). A mista protege a fase em que o capital em dívida é maior (e a prestação dói mais) e deixa a variável trabalhar quando o capital já está abaixo do meio do contrato.

Quando faz sentido a taxa variável

A variável pura é a escolha certa para um perfil mais específico:

  • Orçamento confortável. Variações da Euribor não desorganizam o mês.
  • Horizonte longo + expectativa de descidas. Em ciclos descendentes de Euribor (como no período 2014–2022), a variável bateu sistematicamente a mista porque não havia prémio fixo a pagar.
  • Intenção de amortizar antecipadamente. Em variável, a comissão de amortização é 0,5% — em mista durante o período fixo pode chegar a 2%. Se planeia amortizar significativamente nos primeiros anos, variável é mais barata.
  • Boa relação spread/Euribor. Quando os bancos competem agressivamente em spread (períodos de excesso de liquidez), a variável pode oferecer TAN inicial inferior à da mista equivalente.

A matemática: simulação a 30 anos

Vamos comparar dois cenários para um crédito de 150.000 € a 30 anos. Estes valores são ilustrativos — use o simulador para os números aplicáveis à sua proposta concreta.

  • Mista 5 anos + variável: TAN fixa de 3,2% nos primeiros 5 anos (≈ 648 €/mês). Após 5 anos, TAN variável (spread 1,0% + Euribor). Em cenários médios, MTIC total ronda 240.000 €.
  • Variável 30 anos: TAN inicial = 1,0% spread + Euribor actual. Se a Euribor descer 100 pb nos primeiros 5 anos, a poupança é significativa face à mista; se subir 100 pb, é o oposto. O MTIC oscila entre 230.000 e 260.000 € consoante o cenário macro.

A conclusão honesta: a mista paga prémio para reduzir variância; a variável tem expectativa potencialmente menor mas com risco maior. Não há "vencedor universal" — há "vencedor para o seu perfil".

Como funciona a transição em taxa mista

Findo o período fixo, o contrato passa automaticamente a variável. O spread aplicável já está definido na escritura original — não há renegociação obrigatória. A TAN variável = spread original + Euribor vigente na primeira revisão.

Se nessa altura a Euribor estiver muito acima do que estava quando assinou, a prestação sobe (potencialmente bastante). Se estiver abaixo, desce. É exactamente este risco que a fase fixa adiou — adiar não é eliminar.

Antes da transição, vale a pena reavaliar: comparar a TAN variável que vai entrar em vigor com propostas concorrentes, considerar transferência de crédito ou amortização parcial para mitigar o impacto.

Assistente de decisão

Duas perguntas costumam chegar para fixar a escolha: quanto tempo ficará com este crédito e que folga tem o orçamento. Responda em baixo:

Fixa, Variável ou Mista? — assistente em 2 passos

Responde a duas perguntas e mostramos-te o tipo de taxa que melhor se adequa ao teu cenário, com o raciocínio por trás.

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Quanto tempo planeias ficar com este crédito?

Perguntas frequentes

O que acontece à minha prestação no fim do período fixo da taxa mista?
No final do período fixo (tipicamente 2, 5, 7 ou 10 anos), a taxa passa automaticamente a variável: spread (já definido na escritura) + Euribor vigente nessa data. Se a Euribor estiver mais alta que a TAN fixa que tinha, a prestação sobe; se estiver mais baixa, desce. Não há renegociação obrigatória — a transição é contratual.
Posso converter taxa variável em fixa a meio do contrato?
Tecnicamente sim, mas só por renegociação formal com o banco. Tem custos (comissão de alteração contratual) e o banco define a nova TAN com base nas condições de mercado actuais — pode não compensar. A alternativa frequente é transferir o crédito para outro banco que ofereça melhores condições fixas.
Qual é mais comum em Portugal: mista ou variável?
Desde 2023, a mista superou claramente a variável pura nas contratações novas — é hoje a opção dominante em Portugal. A combinação de TAN fixa inicial baixa (frequentemente abaixo da Euribor de então) e exposição variável apenas mais tarde explica essa preferência.
Que prazo escolher para o período fixo da mista?
Os prazos típicos são 2, 5, 7 e 10 anos. Para horizontes longos (créditos a 30+ anos), 5–10 anos é a faixa comum: cobre a fase mais vulnerável do contrato sem fixar a taxa por demasiado tempo. Períodos curtos (2 anos) só valem quando se espera renegociar ou amortizar significativamente cedo.